sábado, 28 de março de 2015

O CÉU DE ANTEONTEM



Sabe o que me enche de sede na vida?
Olhar as palmeiras que dançam
Com seus ramos apontando pro céu

As crianças que saboreiam cada segundo
De uma brincadeira inocente
E se ajuntam ao redor de uma fogueira

Sob o firmamento rajado de nuvens
E de um horizonte âmbar
Projetei um sonho:
Que todo dia seja como o céu que vi antes de ontem
Que passou baixinho, rasteiro, cativante
Como uma revoada selvagem

Sabe o que me enche de lágrimas na vida?
O pão do pobre molhado de suor
Do qual nasce um sorriso de vitória

Os músicos orquestrados que nos lançam
Em teias mágicas por horas
E nos deliciam com canções de redenção

Sobre a relva úmida de água da chuva
Cantarei a natureza e o esplendor
Que o Senhor dos meus caminhos me mostrou
Eis diante de todos os povos:
O alarido que cura o enfermo
E quebra muralhas de Jeri(-có-)rações

Eu me rendo!
Eu me rendo!
Eu me rendo!

sábado, 4 de janeiro de 2014

DA VARANDA



Hoje assistirei ao sol nascer
Da varanda da minha casa
Verei o orvalho se despedir
Das flores, das folhas, da grama

Serei testemunha do milagre matinal
Ansioso pela primeira brisa
Enquanto o galo canta no quintal
Do vizinho que perde o espetáculo

Na minha cadeira de balanço
Sorrindo pra vida que se abre
Antes que o caos se instaure
Verei raios de sol salpicando o céu

É que tem gente que não se toca
E deixa só o despertador tocar
Portanto, respeite essa minha troca
Que hoje não deixo de ver o sol chegar


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

TEMPO DE GUERRA -- pt.1


Violência gratuita
Bocas mudas
E outras tantas
Gritando
Gemendo

No chão frio
Escorre o sangue
Vertido pelos pulsos
De quem travou guerra
Sem vencer
Sem, porém, retroceder

Mãos armadas
Punhos cerrados
Dedos em riste
Apontando
Calando

É o anúncio do fim
A guerra prometida
O encontro dos séculos
O conflito feroz
Num cenário atroz

Olhos em chamas
Pés descalços
Cambaleando
Se desviando
Se entregando...

Mas algo desponta do oceano obscuro
Algo se arrisca a emergir
Do fundo do coração, sob a poeira dos dias árduos
Eis que vem, um guerreiro todo encouraçado

A batalha vai começar...

domingo, 23 de junho de 2013

O CANSAÇO DOS DIAS


A cada palpitação, uma esperança
Uma lágrima presa na pupila
E os ombros tesos, rígidos

Hoje não rimarei os versos
Que em si só, controversos,
Carregam o cansaço dos dias

No aguardo para o descanso
Debaixo das asas prometidas
Delineia-se meu sossego

Esta noite, tal qual um pequenino
Oro no silêncio, no escuro
Para que me arrebates a dor

Da arte de dar sem receber
E ainda assim, todas as manhãs
Não desistir de acreditar

Dependo de um Pai amoroso
E busco a cura do cansaço
Que se enrosca entre meus dedos

A Ti, ó Altíssimo, o que tenho!
Minhas palavras de alma partida
Que em teu véu anseia se cobrir... 

domingo, 2 de junho de 2013

NO DENTRO DE MIM


No dentro de mim
Remexe-se um sonhador
E chora um poeta
Um duro pranto

Olho para meu íntimo
Em minhas entranhas
Sensações tão amargas
Comichões estranhas

Presa está em mim
A dor abissal dos crentes
Os que já não pisam mais
A cabeça da serpente

Gemidos de uma alma
Bramidos de um coração
Flameja, almeja, volta a gemer
no cativeiro de José

Nesses tempos de um distante Jesus
De um esquecido alvo certo
No dentro de mim deserto
Transveste-se em anjo de luz

Choro lágrimas de gosto cruel
Velando esperanças que vagueiam
Família de certezas feridas
E um minuto de fé para voltar a dormir


segunda-feira, 8 de abril de 2013

SÉRIE "Poemas de circo": CARO SR. PALHAÇO




Sob aquelas vestes efusivas
De cores gritantes que atraem os olhos
Tão dócil e inocente criatura
Quem lhe poderá –de fato- recompensar?

Entre uma e outra pirueta
Entre piadas mais velhas que o mundo
Aquela é sua verdadeira missão
Dinheiro algum lhe poderá recompensar

Os risos e a satisfação do público
Engolem o furacão de pedras em sua alma
Aquela alma que não usa pancake
Aquele nariz que não cobre seus males

Caro Senhor Palhaço, alegre e desastrado
Homem de fé na própria existência
Essa luta todo dia a gente enfrenta
Mas fazendo troça dela, só para os fortes

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SÉRIE "Poemas de Circo": TRAPÉZIO




Jura que tudo vai dar certo?
Promete que poderei me soltar?
Pode me assegurar nessa dúvida?
Na hora da angústia, do medo...

Estarei firme em tuas mãos?
E se as minhas suarem?
E se eu fraquejar justo ali?
Na hora da angústia, do medo...

E a grandeza da derrota?
E a plateia, entre o escárnio e o choque?
E se eu me desviar da rota?
Um segundo frio e crucial

Sinto a espinha arrepiar, gélida
Arritmia, o palhaço já fez sua última graça
É agora? Tem mesmo que ser?
Que o Senhor tenha misericórdia! 

terça-feira, 2 de abril de 2013

SÉRIE "Poemas de circo": MALABARISTAS



Aperta o passo aí, que eu quero ver
Arreda pra lá, afasta, sai!!
O espetáculo que vai começar:
Que benção, meu Deus, que lindeza!!
Coisa linda demais, nem sei
Nem sei, nem sei...
Olha como ele é habilidoso
Olha como faz os seus truques!
Olha, gente, olha!
Nem dá pra mim isso aí...
Quisera eu, outrora nessa vida,
Mas já sou malabarista
Dessas duras penas
Que nem se há de contar
Porque não valem a pena lembrar
Então eu fico aqui, nem pisco
Lá vão e lá vem os malabares
Vou chorar na minha estupidez
Me segura, mulher, me segura... E me abraça!