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quarta-feira, 29 de julho de 2015

BALÉ DE ESTRELAS



Senhor, eu quero ser carregado em teus braços
Pois já não aguento os pés sangrando no chão
Deus que tem nas mãos o bálsamo e a cura
Me salva da minha frustração

Me ajuda a mergulhar mais fundo
Me leva, inebriado da Tua presença
Além das nuvens, rasgando os ventos
Me abraça na hora do pranto

Alça-me ao recanto das estrelas
Que dançam sob a canção do Teu amor
Esse amor que é como perfume penetrante
Esse amor, de voz retumbante

Senhor, eu quero encontrar em Teu peito
O abrigo para o meu desfalecer
Não tenho onde recostar a cabeça
Não tenho alguém que se compadeça

Deus adorado, Dono da vida, da minha vida
Da vida quebrada, porcelana lascada
Da minha fragilidade desnuda
Senhor, eu sou Teu pequeno, menos que nada


domingo, 23 de junho de 2013

O CANSAÇO DOS DIAS


A cada palpitação, uma esperança
Uma lágrima presa na pupila
E os ombros tesos, rígidos

Hoje não rimarei os versos
Que em si só, controversos,
Carregam o cansaço dos dias

No aguardo para o descanso
Debaixo das asas prometidas
Delineia-se meu sossego

Esta noite, tal qual um pequenino
Oro no silêncio, no escuro
Para que me arrebates a dor

Da arte de dar sem receber
E ainda assim, todas as manhãs
Não desistir de acreditar

Dependo de um Pai amoroso
E busco a cura do cansaço
Que se enrosca entre meus dedos

A Ti, ó Altíssimo, o que tenho!
Minhas palavras de alma partida
Que em teu véu anseia se cobrir... 

domingo, 2 de junho de 2013

NO DENTRO DE MIM


No dentro de mim
Remexe-se um sonhador
E chora um poeta
Um duro pranto

Olho para meu íntimo
Em minhas entranhas
Sensações tão amargas
Comichões estranhas

Presa está em mim
A dor abissal dos crentes
Os que já não pisam mais
A cabeça da serpente

Gemidos de uma alma
Bramidos de um coração
Flameja, almeja, volta a gemer
no cativeiro de José

Nesses tempos de um distante Jesus
De um esquecido alvo certo
No dentro de mim deserto
Transveste-se em anjo de luz

Choro lágrimas de gosto cruel
Velando esperanças que vagueiam
Família de certezas feridas
E um minuto de fé para voltar a dormir


quarta-feira, 14 de março de 2012

MELANCOLICARIUM




A música que acompanhou/inspirou a criação deste poema é "A minha oração", do cantor André Valadão. Recomenda-se ler o poema ouvindo a canção, para melhor envolvimento com a obra. Segue link de um vídeo no youtube onde André Valadão interpreta a referida música:  http://www.youtube.com/watch?v=Zn-wPjlj5vA 


(Dos tempos)

Assisto à tarde partir e a noite chegar
Timidamente surge a primeira estrela
Vivaz, brilhante, queimando
Assisto à estrela colorir o céu

Vagueio em bruscos pensares
Eu costumava usar uma aliança
E me cobria de finura invejável
Agora me calo sem nada louvável

Agruras de tempos memoráveis
Agora cercam-me com tamanha fúria
O mar que cerca esta ilha é ácido
E eu não sei nadar para fugir

Austeras visitas a cada manhã que nasce
De apertos e solavancos impetuosos
É tão bonito o maquinário mental
Mas sua cura está a milhas de distância

Assisto ao sol sorrir, com a alma seca
O tanque se renova enquanto há prantos
E o ciclo de esvaziá-lo e enchê-lo me sufoca
Jazem enterrados em mim antigos encantos

(Das alianças)

Canto músicas que queimam o espírito
E cortam-me feito navalha cega
Vejo escorrer pelo nariz uma coriza traumática
Mas a febre é melhor do que a frieza da alma

Eu costumava usar uma aliança
Disso lembro-me de já ter dito
É que ela era tão excessivamente cara
Perdi-a num bueiro qualquer das desventuras

Algumas rimas lidas deitadas pelo chão
Molhando no café um pedaço de pão magro
Penduradas no varal estão as velhas vestes
Manchadas, todavia, encontram-se eternamente

Queria expressar algum tipo de desabafo
Desses que se extrai da alma angustiada
Sei lá, talvez 10.000 lágrimas
Mas deixar vazio pra sempre o reservatório


Eu costumava caminhar com gente
E me dispus a tal estado animalesco
Em que os próprios bichos de mim tem pena
Voam, rastejam, ocultam-se longe de meus vexames

Um dia isso há de ser ricamente colorido?
Não o sei, temo pela resposta a tal pergunta
Receio ter sido esquecido, todo esse tempo sofrido
Por um sonho que nunca passou de uma canção

Mantenho-me espectador fiel do advento das trevas
A noite escorre pela minha pele e me envolve
Eu costumava usar uma aliança
E em algum lugar fértil ela espera por mim...



sábado, 16 de abril de 2011

A FEBRE E O SANGUE


Seus sonhos nem sequer chegaram
aonde eles poderiam chegar
Foram até o âmago do sonhar
Mas não se tornaram mais do que isso

Como uma torre de barro
Seu mais íntimo desejo desmoronou
E a febre agora se espalha
Fechando seus olhos pra batalha

A mão de Deus parece distante
Longe o suficiente pro teu orgulho 
Essa força que controla teu ser
Essa dor que te impede de viver

A mão de Deus está estendida
Quente e firme, porém não percebida 
Pois teus olhos encharcados de sangue
fazem com que não vejas teu Senhor 

Limpa teus olhos nas vestes de Cristo
Alvas e limpas, suaves e acolhedoras
Bebe de sua graça salvadora
Antes que não haja mais sol de esperança...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O PECADOR



( I )
Das trevas para a luz

Bradam heroicos os fariseus,
Sacudindo a carne de caça vistosa
Porque já seus dedos em riste o julgam
Prontos para catar as pedras mais próximas

Foste trazido das trevas, onde permanecias oculto
E lhe jogaram luz intensa sobre teu rosto criminoso
Pobre pecador, tenho pena de ti,
Pois os “juízes de Deus” se deliciam com teu tropeço

Agora, que enfiaste os pés pelas mãos,
Como farás para te livrar desta luz tão acusativa?
Ei, pecador! Infeliz tu és por teu adultério, tua sina
Tua mentira será exposta e tua nudez será revelada

(II)
Exílio e penar

“Exila-te, infeliz pecador, do convívio dos santos!”
Cuja impecabilidade é carregada sobre os ombros
E cujos passos não são tortos nem maliciosos
E vá, vá para longe de nossos olhos!

Se te arrependeres, sorte tua, se houver tempo
Os dentes rangem de fúria contra ti, ó infiel
As lanças tem venenos nas pontas, para trucidar-te
E expor a ti como exemplo aos outros fracos

Agora sangram teus braços, e gemes em agonia
Não clame a Deus, porque seus santos já o condenaram
Nós somos a voz do Senhor, e te rejeitamos tal como a um cão
Exila-te, e ai de ti se ergueres a cabeça

(III)
O reverso do pecado

Bem-aventurados são aqueles que encontram na graça
Uma armadura resistente e amor incondicional
Bem-aventurados os que levam a Deus suas feridas
E com Ele aprendem a serem curados

Ai de ti, ovelha negra, que mais te assemelhas a um lobo
E que desvia a última esperança de um fraco pecador
Resvalando-a pelos dedos para no ar se desfazer
Ai de vós, santos devassos, que mal exercem o amor

Porque todo aquele que voltar atrás e a Deus chorar
Conhecedor de sua miséria e pequenez, quebrantado
Todo aquele que acreditar no reverso do pecado
Este será acolhido, este será imensamente perdoado

Enxutas serão tuas lágrimas, limpo será teu corpo
Socorrido serás de teus conflitos e tuas perseguições
E será feito de ti grande homem, para que Deus seja exaltado
Até que estejas refeito, cheirando a fina prata!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

LO-DEBAR


Referência para este poema: 2 Samuel, cap 9

Quem sou eu, ó Rei, para que uses de bondade comigo?
Eu, que não passo de um cão morto, imundo
De onde vim é escuro, densa terra do silêncio

Quebraram-me os pés, não posso andar
Ainda criança me tornei um manco humilhado
Mataram meus sonhos, ó Rei, fui machucado

Eu tinha futuro predestinado, a perder de vista
Palácios, luxos, riquezas e domínios
Mas indefeso caí, tão frágil fui à ruína

E agora tu vens, ó Rei, a fim de me restituir
Tudo aquilo que um dia eu tive, e perdi
Eu que quase fui um príncipe, posso outra vez sonhar?

Arrancaste-me da terra de minhas feridas
E puseste esperança diante de meus olhos
Estarei à tua mesa para cear contigo, ó Rei bondoso!

Quebraram-me os pés, silenciaram minha alma
E quando nada me restava, além de solidão
O bondoso Rei me aquece o coração

Quem sou eu, ó Rei, para usares de bondade comigo?
Sou agora um homem digno, de olhos erguidos
Nunca mais, Lo-Debar, lugar escuro de silêncio... 

quarta-feira, 30 de junho de 2010

FERIDAS

Fui lançado diversas vezes ao chão
Como um cão desprezível me portei
Exibindo feridas abertas de desilusão
Não tinha amor, o mal encontrei

Neguei aquele sacrifício de amor
Aquela voz de águas calmas que dizia:
"Olha acima, ainda existe um motivo"
E então a voz se fez forte, fez trovão

Eu me angustio, me desespero
Se me distancio do teu perfeito esmero
Não quero o ontem, ele morreu no tempo
Eu quero é Deus, meu maior sustento

E se o anjo do inimigo me cercar
tentar pousar com suas garras sobre mim
O meu Senhor é quem vai batalhar
pra garantir o meu sucesso lá no fim

Agora chega dessa alma abatida!
Jesus, derrama vinho novo em minha vida!
Que eu me apaixone, que eu me abandone
em teus braços descanse e sonhe

segunda-feira, 21 de junho de 2010

TÚMULO



Um poema forte, com tons sombrios e uma pegada de melancolia. Sinta, através destas palavras, o lamento de alguém que rejeitou o bem mais precioso que pode existir. 


Assim que chegar o morrer
Eu quero vê-lo atravessando as paredes
Desse meu coração deserto
Qual destino é certo:
um túmulo reservado à solidão

Ah! Se outrora eu soubesse que eras o Cristo
Agora estaria vivo, e mais do que isto
Vida pulsaria em cada mover de minhas mãos
E seria capaz até de sonhar
De brincar, de plantar, de colher...

E tantos sorrisos enterrei, quando orgulhosamente
Guardei-me querendo ser são, não como os loucos tais
Que se rasgam em louvores a Ti, com aleluias
Quisera eu ter sido insano a tal ponto
Hoje estaria pronto pra morar contigo

Veio satanás visitar-me, levando rosas cinzentas
Cujas pétalas revelam cada ato vil e soberbo
E que o pobre de mim não conheceu limites
Agora clamo coberto de terra
Travando no inferno perdida guerra

Onde rangem os dentes e se pranteiam os maus
Onde arde o fogo e a carne dos perversos
Meu lugar, meu pós-morte, minha escolha
Para onde os anjos das densas trevas me levam
Pro tormento longe, Senhor, de Ti... Lamento!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

COMPLETAMENTE PERDIDO


O menino chorou a noite inteira
As lembranças, as dores
Tudo que o machuca, que o assusta
Quanto custa?
Ele quer saber o preço do amor

E o coitado gira, gira, gira, não acha
algum pensamento que o satisfaça
que o faça ver luz e ouvir melodias
Mas sua vida está em trevas
Como as ervas, quão seco ele parece!

O menino chora sangue, enlouquece
O diabo maldito o enfraquece
Mas minhas orações irão alcançá-lo
Aguente, menino, o amor te salvará
Com Deus você está, Ele te consola

Está completamente perdido e cadavérico
Coração colérico! Deus te salvou
O prato é seco e a lágrima parou,
Amém, Senhor!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

LIBERTO





Minha alma geme tão alto que não posso conter
As feridas dessa vida me afligem pra eu morrer
Quero tanto, em meio ao pranto, ver ainda que há razão
Uma forma, uma maneira de escapar da escuridão

Pecado!
“Perdão”
Pecado!
“Perdão”

Ver teus olhos em tristeza repousando sobre mim
Essa fome, essa ânsia, a incerteza de um fim
Tatuado no meu corpo, o pecado impregnado
Me socorre, me liberta, quero ser purificado

Pecado!
“Perdão”
Pecado!
“Perdão”

Não me importo com as riquezas se a vida eu perder
Santo Rei, respire em mim pra que eu possa renascer
Liberdade, liberdade, celebrar com meu Senhor
Venha a mim tua mão, me acalma nessa luta e nessa dor

Pecado!
“Perdão”
Pecado!
LIBERTAÇÃO!!!