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quarta-feira, 29 de julho de 2015

BALÉ DE ESTRELAS



Senhor, eu quero ser carregado em teus braços
Pois já não aguento os pés sangrando no chão
Deus que tem nas mãos o bálsamo e a cura
Me salva da minha frustração

Me ajuda a mergulhar mais fundo
Me leva, inebriado da Tua presença
Além das nuvens, rasgando os ventos
Me abraça na hora do pranto

Alça-me ao recanto das estrelas
Que dançam sob a canção do Teu amor
Esse amor que é como perfume penetrante
Esse amor, de voz retumbante

Senhor, eu quero encontrar em Teu peito
O abrigo para o meu desfalecer
Não tenho onde recostar a cabeça
Não tenho alguém que se compadeça

Deus adorado, Dono da vida, da minha vida
Da vida quebrada, porcelana lascada
Da minha fragilidade desnuda
Senhor, eu sou Teu pequeno, menos que nada


sábado, 4 de abril de 2015

RAINHA DO BAILE


Sem vestido especial para a ocasião
Sem sapatos novos para exibir
Sem música, sem par, sem salão
Ninguém pra segurar sua mão

O vento na janela anuncia tanta tristeza
E a melancolia já tomou sua parte na cama
Alguém lá fora está radiante
Alguém lá fora esbanja beleza

Meu amor, minha doce criança
Alvo dos meus sonhos mais estranhos
Das minhas mais absolutas certezas
Esta noite eu sou teu príncipe

Meu convite é raro e irrecusável
Dê-me a honra desta dança
E seja comigo uma só no tempo, memorável
Nos passos que eu lhe conduzir
Pois amanhã, ao raiar das primeiras horas
Este príncipe não terá ido embora

A força dessas palavras carrega tufões
Descobre sorrisos ocultos no teu olhar
E celebra, depois da festa, ao ritmo do mar
Basta ouvir, enfim, quando eu te chamo:
Rainha do baile, graciosa e esmerada
Eu te amo

domingo, 23 de junho de 2013

O CANSAÇO DOS DIAS


A cada palpitação, uma esperança
Uma lágrima presa na pupila
E os ombros tesos, rígidos

Hoje não rimarei os versos
Que em si só, controversos,
Carregam o cansaço dos dias

No aguardo para o descanso
Debaixo das asas prometidas
Delineia-se meu sossego

Esta noite, tal qual um pequenino
Oro no silêncio, no escuro
Para que me arrebates a dor

Da arte de dar sem receber
E ainda assim, todas as manhãs
Não desistir de acreditar

Dependo de um Pai amoroso
E busco a cura do cansaço
Que se enrosca entre meus dedos

A Ti, ó Altíssimo, o que tenho!
Minhas palavras de alma partida
Que em teu véu anseia se cobrir... 

domingo, 2 de junho de 2013

NO DENTRO DE MIM


No dentro de mim
Remexe-se um sonhador
E chora um poeta
Um duro pranto

Olho para meu íntimo
Em minhas entranhas
Sensações tão amargas
Comichões estranhas

Presa está em mim
A dor abissal dos crentes
Os que já não pisam mais
A cabeça da serpente

Gemidos de uma alma
Bramidos de um coração
Flameja, almeja, volta a gemer
no cativeiro de José

Nesses tempos de um distante Jesus
De um esquecido alvo certo
No dentro de mim deserto
Transveste-se em anjo de luz

Choro lágrimas de gosto cruel
Velando esperanças que vagueiam
Família de certezas feridas
E um minuto de fé para voltar a dormir


terça-feira, 2 de abril de 2013

SÉRIE "Poemas de circo": MALABARISTAS



Aperta o passo aí, que eu quero ver
Arreda pra lá, afasta, sai!!
O espetáculo que vai começar:
Que benção, meu Deus, que lindeza!!
Coisa linda demais, nem sei
Nem sei, nem sei...
Olha como ele é habilidoso
Olha como faz os seus truques!
Olha, gente, olha!
Nem dá pra mim isso aí...
Quisera eu, outrora nessa vida,
Mas já sou malabarista
Dessas duras penas
Que nem se há de contar
Porque não valem a pena lembrar
Então eu fico aqui, nem pisco
Lá vão e lá vem os malabares
Vou chorar na minha estupidez
Me segura, mulher, me segura... E me abraça!

quarta-feira, 14 de março de 2012

MELANCOLICARIUM




A música que acompanhou/inspirou a criação deste poema é "A minha oração", do cantor André Valadão. Recomenda-se ler o poema ouvindo a canção, para melhor envolvimento com a obra. Segue link de um vídeo no youtube onde André Valadão interpreta a referida música:  http://www.youtube.com/watch?v=Zn-wPjlj5vA 


(Dos tempos)

Assisto à tarde partir e a noite chegar
Timidamente surge a primeira estrela
Vivaz, brilhante, queimando
Assisto à estrela colorir o céu

Vagueio em bruscos pensares
Eu costumava usar uma aliança
E me cobria de finura invejável
Agora me calo sem nada louvável

Agruras de tempos memoráveis
Agora cercam-me com tamanha fúria
O mar que cerca esta ilha é ácido
E eu não sei nadar para fugir

Austeras visitas a cada manhã que nasce
De apertos e solavancos impetuosos
É tão bonito o maquinário mental
Mas sua cura está a milhas de distância

Assisto ao sol sorrir, com a alma seca
O tanque se renova enquanto há prantos
E o ciclo de esvaziá-lo e enchê-lo me sufoca
Jazem enterrados em mim antigos encantos

(Das alianças)

Canto músicas que queimam o espírito
E cortam-me feito navalha cega
Vejo escorrer pelo nariz uma coriza traumática
Mas a febre é melhor do que a frieza da alma

Eu costumava usar uma aliança
Disso lembro-me de já ter dito
É que ela era tão excessivamente cara
Perdi-a num bueiro qualquer das desventuras

Algumas rimas lidas deitadas pelo chão
Molhando no café um pedaço de pão magro
Penduradas no varal estão as velhas vestes
Manchadas, todavia, encontram-se eternamente

Queria expressar algum tipo de desabafo
Desses que se extrai da alma angustiada
Sei lá, talvez 10.000 lágrimas
Mas deixar vazio pra sempre o reservatório


Eu costumava caminhar com gente
E me dispus a tal estado animalesco
Em que os próprios bichos de mim tem pena
Voam, rastejam, ocultam-se longe de meus vexames

Um dia isso há de ser ricamente colorido?
Não o sei, temo pela resposta a tal pergunta
Receio ter sido esquecido, todo esse tempo sofrido
Por um sonho que nunca passou de uma canção

Mantenho-me espectador fiel do advento das trevas
A noite escorre pela minha pele e me envolve
Eu costumava usar uma aliança
E em algum lugar fértil ela espera por mim...



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

VOLTE



Volte, mesmo ainda sendo madrugada
Pois é nas trevas que a sede aumenta
E a necessidade do teu abraço clama e não cansa

Volte, antes que raie a manhã dubitável  
Aquela despretensiosa manhã que sempre chega
Retorne com um afago paternal inigualável

Volte, e refaça meus ossos quebrados e reumáticos
Sopre vida em minha pele e põe luz à minha vista
Fala ao meu coração antes que eu desista

Volte na hora certa, pelo vazio de minha alma
Cruze minhas angústias fincando calma
Arvorando bandeira de vitória sobre a morte
Volte, espero-te, Precioso Amado, volte!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

ANGÚSTIAS NOTURNAS



Chegando por aqui, enfim, o primeiro poema de 2012... Deus seja louvado!!!!



Ela bebeu da fonte inesgotável das ilusões
Junto com aqueles cujos lábios sorriam gélidos
E cujas mãos estavam pálidas em semivida
Ela bebeu até escorrer queixo abaixo

Ela havia entrado por portas escancaradas
Onde sofismas a arrebataram como sedutores vampiros
Foram sugando suas energias e lhe injetando orgulho
Viciada ela ficou, envolta em sonhos e suspiros

Lavaram sua mente com veneno de serpentes
Enquanto matava a sede dos homens em seus braços
E as angústias noturnas a mantém presa como fantoche
Há vontade de fugir, mas não consegue dar dois passos

Ela não tem nome, não tem sequer um rosto
Ao menos uma face que se possa distinguir nas trevas
Ela ergueu muralhas gigantescas a proteger o coração
Onde eu deveria estar e nem mesmo posso entrar

Se ao menos ela escutasse o que eu dissera
Seus dias poderiam ser quase uma quimera
Mas o inverno em sua alma nunca passa, frio eterno
Toda noite eu a vejo desejar o inferno

E muitos existem tornados como a donzela
Perdidos em fumaça de falsas promessas seculares
Minha espera revela que existe uma chance
Eu simplesmente ainda espero por seus olhares...

domingo, 10 de julho de 2011

EM NOME DE UM CORAÇÃO TRANQUILO


Em nome de um coração tranquilo
É que faço poesias e oro
Sorrio com os amigos e com os amigos choro
Carrego minha pesada cruz
Mesmo sem enxergar a luz

Em nome de um pouco de alívio
É que convido Deus para minha vida
Em meio às dores e despedidas
Buscando além do que posso ver
Uma esperança pra não morrer

Tudo em busca de serenidade
Calma, paz, viver de verdade
Em nome das rotas que precisam ser acertadas
É assim que organizo essas palavras

Em nome de um refrão que possa ser (re)cantado
É por isso que confio no Cristo Ressucitado
Em nome do único bem que eu tenho, única herança
Em nome da inocência intacta de criança!

sábado, 16 de abril de 2011

A FEBRE E O SANGUE


Seus sonhos nem sequer chegaram
aonde eles poderiam chegar
Foram até o âmago do sonhar
Mas não se tornaram mais do que isso

Como uma torre de barro
Seu mais íntimo desejo desmoronou
E a febre agora se espalha
Fechando seus olhos pra batalha

A mão de Deus parece distante
Longe o suficiente pro teu orgulho 
Essa força que controla teu ser
Essa dor que te impede de viver

A mão de Deus está estendida
Quente e firme, porém não percebida 
Pois teus olhos encharcados de sangue
fazem com que não vejas teu Senhor 

Limpa teus olhos nas vestes de Cristo
Alvas e limpas, suaves e acolhedoras
Bebe de sua graça salvadora
Antes que não haja mais sol de esperança...