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quarta-feira, 29 de julho de 2015

BALÉ DE ESTRELAS



Senhor, eu quero ser carregado em teus braços
Pois já não aguento os pés sangrando no chão
Deus que tem nas mãos o bálsamo e a cura
Me salva da minha frustração

Me ajuda a mergulhar mais fundo
Me leva, inebriado da Tua presença
Além das nuvens, rasgando os ventos
Me abraça na hora do pranto

Alça-me ao recanto das estrelas
Que dançam sob a canção do Teu amor
Esse amor que é como perfume penetrante
Esse amor, de voz retumbante

Senhor, eu quero encontrar em Teu peito
O abrigo para o meu desfalecer
Não tenho onde recostar a cabeça
Não tenho alguém que se compadeça

Deus adorado, Dono da vida, da minha vida
Da vida quebrada, porcelana lascada
Da minha fragilidade desnuda
Senhor, eu sou Teu pequeno, menos que nada


quinta-feira, 2 de abril de 2015

P.S.


Eu fiquei preso sem me mover
Até clamar ao Senhor
(No recôndito mais fundo da alma)
E sentir, então, que ainda há vida nas pernas
E meus lábios ainda poder-se-iam abrir
Um pesadelo frio sussurrava ao pé d´ouvido
Tragando minh´alma a cada segundo desesperador
Mas o Cristo ouve o mais silencioso clamor
Que me arrebata das garras do medo
Dos olhos que espreitam no submundo
Da presença vívida que atordoa
E do grito preso no pesado peito
outrora oprimido sem dó
Cuja dor já não mais há
E dorme em paz até o dia chegar




quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

VOLTE



Volte, mesmo ainda sendo madrugada
Pois é nas trevas que a sede aumenta
E a necessidade do teu abraço clama e não cansa

Volte, antes que raie a manhã dubitável  
Aquela despretensiosa manhã que sempre chega
Retorne com um afago paternal inigualável

Volte, e refaça meus ossos quebrados e reumáticos
Sopre vida em minha pele e põe luz à minha vista
Fala ao meu coração antes que eu desista

Volte na hora certa, pelo vazio de minha alma
Cruze minhas angústias fincando calma
Arvorando bandeira de vitória sobre a morte
Volte, espero-te, Precioso Amado, volte!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

(CH)OREMOS AO SENHOR



Orar, como nunca oramos antes
Uma vez ao menos, um esforço somente
E veremos tal grandeza de milagres
Perpétuo socorro vislumbrado

Orar, mas com muita, muita fé
Um grão de mostarda regado com lágrimas
Tocar a Deus, lavar seus pés
Apresentar diante Dele nossas almas

Expor nossos corações sangrados
Manchados retratos de nossas sombras
Cantar, dançar, louvar, ex-ter-nar
Pôr pra fora toda a dor, descarregar

Chorar, prantear do ponto mais fundo
Oremos com o rosto em pó, clamemos
Clamemos por toda dor desse mundo
Ao Senhor, Senhor, como santos O adoremos

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ORAÇÃO DO EU



Que eu seja uma voz de esperança, em vez de medo
Que eu possa vestir a roupa da verdade, em vez de um disfarce
Que eu saiba dar a outra face, em vez de mostrar os dentes
Que eu entenda um pouco de arte, em vez de amordaçá-la

Que eu tenha o dom de escutar mais, em vez de tentar calar
Que eu possa reconhecer outras belezas, em vez do meu próprio espelho
Que eu consiga ser menos ranzinza, em vez de brigar com o mundo
Que eu creia mais em Deus, em vez de despejá-lo à toa pelos lábios

Que eu seja capaz de ajudar a subir, em vez de chutar para cair
Que eu guarde minha boca do mal, em vez de jorrá-lo como ouro pela saliva
Que eu seja pacífico, em vez de estimular a vingança e a violência
Que eu ame sem salário, em vez de impor o valor da recompensa

Que eu pare de reclamar da sorte, em vez de birrar como criança mimada
Que eu esqueça dos pecados passados, em vez de trazê-los da tumba
Que eu ore e agradeça por tudo, em vez de pensar só no que me falta
Que eu abrace com braços de afago, em vez de dar abraços gelados

Que eu tenha a ignorância de uma criança, em vez da sabedoria maligna de adulto
Que eu louve e cante para um Deus real, em vez de um deus efêmero
Que eu limpe meu coração dos rancores, em vez de regá-los com água do ódio
Que eu chore nos colos do Pai, em vez de engolir pílulas de depressão

Que eu sirva com boa vontade, em vez de cobrar qualquer palavra dita
Que eu me desvie das sombras estranhas da noite, em vez de namorá-las
Enfim, que um dia possa eu, em minhas quimeras
Chegar a um mínimo de minha humilde oração, quem dera!