quinta-feira, 8 de setembro de 2011

(CH)OREMOS AO SENHOR



Orar, como nunca oramos antes
Uma vez ao menos, um esforço somente
E veremos tal grandeza de milagres
Perpétuo socorro vislumbrado

Orar, mas com muita, muita fé
Um grão de mostarda regado com lágrimas
Tocar a Deus, lavar seus pés
Apresentar diante Dele nossas almas

Expor nossos corações sangrados
Manchados retratos de nossas sombras
Cantar, dançar, louvar, ex-ter-nar
Pôr pra fora toda a dor, descarregar

Chorar, prantear do ponto mais fundo
Oremos com o rosto em pó, clamemos
Clamemos por toda dor desse mundo
Ao Senhor, Senhor, como santos O adoremos

domingo, 10 de julho de 2011

EM NOME DE UM CORAÇÃO TRANQUILO


Em nome de um coração tranquilo
É que faço poesias e oro
Sorrio com os amigos e com os amigos choro
Carrego minha pesada cruz
Mesmo sem enxergar a luz

Em nome de um pouco de alívio
É que convido Deus para minha vida
Em meio às dores e despedidas
Buscando além do que posso ver
Uma esperança pra não morrer

Tudo em busca de serenidade
Calma, paz, viver de verdade
Em nome das rotas que precisam ser acertadas
É assim que organizo essas palavras

Em nome de um refrão que possa ser (re)cantado
É por isso que confio no Cristo Ressucitado
Em nome do único bem que eu tenho, única herança
Em nome da inocência intacta de criança!

sábado, 16 de abril de 2011

A FEBRE E O SANGUE


Seus sonhos nem sequer chegaram
aonde eles poderiam chegar
Foram até o âmago do sonhar
Mas não se tornaram mais do que isso

Como uma torre de barro
Seu mais íntimo desejo desmoronou
E a febre agora se espalha
Fechando seus olhos pra batalha

A mão de Deus parece distante
Longe o suficiente pro teu orgulho 
Essa força que controla teu ser
Essa dor que te impede de viver

A mão de Deus está estendida
Quente e firme, porém não percebida 
Pois teus olhos encharcados de sangue
fazem com que não vejas teu Senhor 

Limpa teus olhos nas vestes de Cristo
Alvas e limpas, suaves e acolhedoras
Bebe de sua graça salvadora
Antes que não haja mais sol de esperança...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O PECADOR



( I )
Das trevas para a luz

Bradam heroicos os fariseus,
Sacudindo a carne de caça vistosa
Porque já seus dedos em riste o julgam
Prontos para catar as pedras mais próximas

Foste trazido das trevas, onde permanecias oculto
E lhe jogaram luz intensa sobre teu rosto criminoso
Pobre pecador, tenho pena de ti,
Pois os “juízes de Deus” se deliciam com teu tropeço

Agora, que enfiaste os pés pelas mãos,
Como farás para te livrar desta luz tão acusativa?
Ei, pecador! Infeliz tu és por teu adultério, tua sina
Tua mentira será exposta e tua nudez será revelada

(II)
Exílio e penar

“Exila-te, infeliz pecador, do convívio dos santos!”
Cuja impecabilidade é carregada sobre os ombros
E cujos passos não são tortos nem maliciosos
E vá, vá para longe de nossos olhos!

Se te arrependeres, sorte tua, se houver tempo
Os dentes rangem de fúria contra ti, ó infiel
As lanças tem venenos nas pontas, para trucidar-te
E expor a ti como exemplo aos outros fracos

Agora sangram teus braços, e gemes em agonia
Não clame a Deus, porque seus santos já o condenaram
Nós somos a voz do Senhor, e te rejeitamos tal como a um cão
Exila-te, e ai de ti se ergueres a cabeça

(III)
O reverso do pecado

Bem-aventurados são aqueles que encontram na graça
Uma armadura resistente e amor incondicional
Bem-aventurados os que levam a Deus suas feridas
E com Ele aprendem a serem curados

Ai de ti, ovelha negra, que mais te assemelhas a um lobo
E que desvia a última esperança de um fraco pecador
Resvalando-a pelos dedos para no ar se desfazer
Ai de vós, santos devassos, que mal exercem o amor

Porque todo aquele que voltar atrás e a Deus chorar
Conhecedor de sua miséria e pequenez, quebrantado
Todo aquele que acreditar no reverso do pecado
Este será acolhido, este será imensamente perdoado

Enxutas serão tuas lágrimas, limpo será teu corpo
Socorrido serás de teus conflitos e tuas perseguições
E será feito de ti grande homem, para que Deus seja exaltado
Até que estejas refeito, cheirando a fina prata!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ORAÇÃO DO EU



Que eu seja uma voz de esperança, em vez de medo
Que eu possa vestir a roupa da verdade, em vez de um disfarce
Que eu saiba dar a outra face, em vez de mostrar os dentes
Que eu entenda um pouco de arte, em vez de amordaçá-la

Que eu tenha o dom de escutar mais, em vez de tentar calar
Que eu possa reconhecer outras belezas, em vez do meu próprio espelho
Que eu consiga ser menos ranzinza, em vez de brigar com o mundo
Que eu creia mais em Deus, em vez de despejá-lo à toa pelos lábios

Que eu seja capaz de ajudar a subir, em vez de chutar para cair
Que eu guarde minha boca do mal, em vez de jorrá-lo como ouro pela saliva
Que eu seja pacífico, em vez de estimular a vingança e a violência
Que eu ame sem salário, em vez de impor o valor da recompensa

Que eu pare de reclamar da sorte, em vez de birrar como criança mimada
Que eu esqueça dos pecados passados, em vez de trazê-los da tumba
Que eu ore e agradeça por tudo, em vez de pensar só no que me falta
Que eu abrace com braços de afago, em vez de dar abraços gelados

Que eu tenha a ignorância de uma criança, em vez da sabedoria maligna de adulto
Que eu louve e cante para um Deus real, em vez de um deus efêmero
Que eu limpe meu coração dos rancores, em vez de regá-los com água do ódio
Que eu chore nos colos do Pai, em vez de engolir pílulas de depressão

Que eu sirva com boa vontade, em vez de cobrar qualquer palavra dita
Que eu me desvie das sombras estranhas da noite, em vez de namorá-las
Enfim, que um dia possa eu, em minhas quimeras
Chegar a um mínimo de minha humilde oração, quem dera!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

LO-DEBAR


Referência para este poema: 2 Samuel, cap 9

Quem sou eu, ó Rei, para que uses de bondade comigo?
Eu, que não passo de um cão morto, imundo
De onde vim é escuro, densa terra do silêncio

Quebraram-me os pés, não posso andar
Ainda criança me tornei um manco humilhado
Mataram meus sonhos, ó Rei, fui machucado

Eu tinha futuro predestinado, a perder de vista
Palácios, luxos, riquezas e domínios
Mas indefeso caí, tão frágil fui à ruína

E agora tu vens, ó Rei, a fim de me restituir
Tudo aquilo que um dia eu tive, e perdi
Eu que quase fui um príncipe, posso outra vez sonhar?

Arrancaste-me da terra de minhas feridas
E puseste esperança diante de meus olhos
Estarei à tua mesa para cear contigo, ó Rei bondoso!

Quebraram-me os pés, silenciaram minha alma
E quando nada me restava, além de solidão
O bondoso Rei me aquece o coração

Quem sou eu, ó Rei, para usares de bondade comigo?
Sou agora um homem digno, de olhos erguidos
Nunca mais, Lo-Debar, lugar escuro de silêncio... 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VENTO DE MUDANÇA

E, assim, repentinamente sopra o vento da mudança
Com ele se vão costumes, olhares e passos
Com ele vem novos rostos, ideias e laços

Mesmo demorado... Ou será no tempo determinado?
Não o sei, só Deus sabe, agindo segundo Seu agrado
Tenho esperado por este vento suave... ou atormentado!

Pensei ter orado sem ter sido considerado, ouvido
Mas até o silêncio do Criador pode ser uma resposta
Até que um dia se torne em clara verdade

Eis o vento de mudança, que todo mortal anseia um dia
Um novo olhar, um novo rumo, uma nova melodia
Páginas em branco de um livro a se escrever

Vento, suave ou forte, carrega-me contigo!
Leva-me para onde houver arte todos os dias
Só não me afaste de meu Cristo, sem o qual viver não saberia

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CORAÇÃO MINÚSCULO



Coração minúsculo
Quando me deixarás entrar?
Se tudo que eu mais quero é em ti habitar
Ó, dolorido e minúsculo coração!

Coração apertado
Que tirita de frio e tanto medo
Sufocado por mágoas e segredos
Abra-te a mim e tudo se dissipará

Coraçãozinho frágil
Tão fácil de quebrar, se espatifar
Deixe-me te remendar
Refarei você como novo em folha

Coração minúsculo
Eu escolhi você, desde sempre
Eu só quero uma chance de tentar
E prometo que não vais te arrepender

Coração sangrado e calado
Pela vida brutal espancado
Mas hoje renasce uma esperança
De juntar os pedaços outrora desprezados

Coraçãozinho impenetrável
Sangrei tanto para fazê-lo bater
Chorei tanto pra não vê-lo recuar
E hoje só quero poder entrar

Coração minúsculo
Eu escolhi você, desde sempre
Se me escolheres também, aqui estarei
Esperando o dia em que me receberás