terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ORAÇÃO DO EU



Que eu seja uma voz de esperança, em vez de medo
Que eu possa vestir a roupa da verdade, em vez de um disfarce
Que eu saiba dar a outra face, em vez de mostrar os dentes
Que eu entenda um pouco de arte, em vez de amordaçá-la

Que eu tenha o dom de escutar mais, em vez de tentar calar
Que eu possa reconhecer outras belezas, em vez do meu próprio espelho
Que eu consiga ser menos ranzinza, em vez de brigar com o mundo
Que eu creia mais em Deus, em vez de despejá-lo à toa pelos lábios

Que eu seja capaz de ajudar a subir, em vez de chutar para cair
Que eu guarde minha boca do mal, em vez de jorrá-lo como ouro pela saliva
Que eu seja pacífico, em vez de estimular a vingança e a violência
Que eu ame sem salário, em vez de impor o valor da recompensa

Que eu pare de reclamar da sorte, em vez de birrar como criança mimada
Que eu esqueça dos pecados passados, em vez de trazê-los da tumba
Que eu ore e agradeça por tudo, em vez de pensar só no que me falta
Que eu abrace com braços de afago, em vez de dar abraços gelados

Que eu tenha a ignorância de uma criança, em vez da sabedoria maligna de adulto
Que eu louve e cante para um Deus real, em vez de um deus efêmero
Que eu limpe meu coração dos rancores, em vez de regá-los com água do ódio
Que eu chore nos colos do Pai, em vez de engolir pílulas de depressão

Que eu sirva com boa vontade, em vez de cobrar qualquer palavra dita
Que eu me desvie das sombras estranhas da noite, em vez de namorá-las
Enfim, que um dia possa eu, em minhas quimeras
Chegar a um mínimo de minha humilde oração, quem dera!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

LO-DEBAR


Referência para este poema: 2 Samuel, cap 9

Quem sou eu, ó Rei, para que uses de bondade comigo?
Eu, que não passo de um cão morto, imundo
De onde vim é escuro, densa terra do silêncio

Quebraram-me os pés, não posso andar
Ainda criança me tornei um manco humilhado
Mataram meus sonhos, ó Rei, fui machucado

Eu tinha futuro predestinado, a perder de vista
Palácios, luxos, riquezas e domínios
Mas indefeso caí, tão frágil fui à ruína

E agora tu vens, ó Rei, a fim de me restituir
Tudo aquilo que um dia eu tive, e perdi
Eu que quase fui um príncipe, posso outra vez sonhar?

Arrancaste-me da terra de minhas feridas
E puseste esperança diante de meus olhos
Estarei à tua mesa para cear contigo, ó Rei bondoso!

Quebraram-me os pés, silenciaram minha alma
E quando nada me restava, além de solidão
O bondoso Rei me aquece o coração

Quem sou eu, ó Rei, para usares de bondade comigo?
Sou agora um homem digno, de olhos erguidos
Nunca mais, Lo-Debar, lugar escuro de silêncio... 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VENTO DE MUDANÇA

E, assim, repentinamente sopra o vento da mudança
Com ele se vão costumes, olhares e passos
Com ele vem novos rostos, ideias e laços

Mesmo demorado... Ou será no tempo determinado?
Não o sei, só Deus sabe, agindo segundo Seu agrado
Tenho esperado por este vento suave... ou atormentado!

Pensei ter orado sem ter sido considerado, ouvido
Mas até o silêncio do Criador pode ser uma resposta
Até que um dia se torne em clara verdade

Eis o vento de mudança, que todo mortal anseia um dia
Um novo olhar, um novo rumo, uma nova melodia
Páginas em branco de um livro a se escrever

Vento, suave ou forte, carrega-me contigo!
Leva-me para onde houver arte todos os dias
Só não me afaste de meu Cristo, sem o qual viver não saberia

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CORAÇÃO MINÚSCULO



Coração minúsculo
Quando me deixarás entrar?
Se tudo que eu mais quero é em ti habitar
Ó, dolorido e minúsculo coração!

Coração apertado
Que tirita de frio e tanto medo
Sufocado por mágoas e segredos
Abra-te a mim e tudo se dissipará

Coraçãozinho frágil
Tão fácil de quebrar, se espatifar
Deixe-me te remendar
Refarei você como novo em folha

Coração minúsculo
Eu escolhi você, desde sempre
Eu só quero uma chance de tentar
E prometo que não vais te arrepender

Coração sangrado e calado
Pela vida brutal espancado
Mas hoje renasce uma esperança
De juntar os pedaços outrora desprezados

Coraçãozinho impenetrável
Sangrei tanto para fazê-lo bater
Chorei tanto pra não vê-lo recuar
E hoje só quero poder entrar

Coração minúsculo
Eu escolhi você, desde sempre
Se me escolheres também, aqui estarei
Esperando o dia em que me receberás

domingo, 17 de outubro de 2010

CONFESSO


Confesso que te coroei com espinhos agudos
E rendi glórias a um punhado de inutilidades
Confesso que te dei migalhas de minutos
E passei horas falando de trivialidades

Confesso que só Tua presença me completa
Mas na hora que a coisa aperta
Fujo, me fecho, descreio de imediato
Por que eu sou tão ingrato? 

Confesso que tem vezes que dá vontade de sucumbir
Mas então paro e me lembro de Ti
Que foi até o fim, o último suspiro
Até tudo se consumar

Confesso que pequei porque quis
Não fugi, nem resisti, não me escondi
Mas agora sinto a dor cravando as garras 
Nesse meu peito de homem mau 

Confesso que orei de má vontade
Quando na verdade, a vontade era outra
E eu, que faço com essas confissões?
Espero o Rei lavá-las com sangue de amor

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O GRANDE GUERREIRO


Quem poderá se levantar contra ti, ó Grande Guerreiro?
Quem atentará em sã consciência contra o teu poder?
Tudo submetes debaixo de teus pés
Lanças mão de tua potente espada, sem nada temer

Ó Grande Cavaleiro, que majestade reluzente!
Me desfaço em adoração diante de ti
Sou completamente entregue e submiso
Canto tuas glórias e meu peito vibra com isso

Levanto as mãos e aplaudo até doerem as palmas
Ó Grande Rei, louvado seja teu esplendor!
Há tempos ansiava em me derreter novamente em teus altares
Mal espero pelo dia em que te verei nos ares

Quem ousará ferir algum dos teus pequeninos?
Tu, como leão defensor, não permites tal atrevimento
Pois com tua misericórdia e amor, envolve-nos em teus mantos
Ah, Senhor, quão doces são teus atos, teus encantos

Só me resta encher os pulmões e bradar que és Santo!
Ninguém há no universo que alcance teu brilho
Sei que posso descansar, andar tranqüilo
Pois o Grande Guerreiro por mim não para de batalhar

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MISSÃO POESIA ENTRE OS 10 MAIS DO CONCURSO BLOGBOOKS


Quem acompanha minha vida virtual no Orkut, Twitter e, lógico, pelos blogs que tenho, sabe que há algum tempo estive fazendo campanhas em prol de minha participação no 2o concurso Blogbooks, realizado pela editora Ediouro, Universo do Autor e Singular Digital. Este prêmio visa transformar blogs em livros de verdade, mais precisamente 15 felizardos, um para cada categoria. Meti a cara para concorrer logo com os dois blogs: Marvin Cross e este aqui, nas categorias entretenimento e religião, respectivamente. Pois bem, no começo não fiquei muito empolgado. Achei que a concorrência era demais, então fiquei um tempo sem me dedicar muito a tal campanha. Hoje me arrependo um pouco disso.
No entanto, inspirado por alguns "(e)leitores", botei de novo pra arregaçar as mangas e trabalhei dobrado na campanha, quando vi que ambos os blogs estavam começando a receber uma quantidade significativa de votos, pelo menos pra mim que não depositava muita confiança que as pessoas gastariam seu precioso tempo clicando em links e digitando letrinhas complicadas para me ajudar, a ponto de me destacar. Enfim, o resultado parcial disso tem sido uma experiência empolgante e completamente nova. 
Primeiro, para dar um gás à ansiedade dos blogueiros, os organizadores divulgaram no dia 08/09 uma lista com os 25 mais votados em cada categoria: o Marvin e o Missão estavam figurando nessa lista, e fiquei muito orgulhoso. Mas a lista definitiva foi a que saiu neste dia 15, com os 10 de cada categoria que vão para a fase final, a que não mais depende de votações, mas da comissão julgadora que vai analisar os blogs finalistas e dar o tão aguardado parecer dia 24/09, ou seja, mais noites sem dormir, hehehehee...
Divido com vocês, amigos, esta bênção de Deus. Nunca que eu poderia sonhar em ficar classificado entre 10 trabalhos em nível de Brasil. E ainda por cima com o Missão Poesia, um blog bebê, cujos posts recebem poucos comentários e a atratividade é menor que a do Marvin, já que poesia é algo para um público bem seleto. Desde criança, nunca imaginei que meu primeiro livro publicado pudesse ser um de poesias, muito menos evangélicas, mas agora a possibilidade está aí. E a tensão é muita. 
Não vou negar que quero muito ganhar, e que eventualmente ficarei muito triste se perder, porém só de chegar até aqui é uma vitória muito grande. A alegria é inexpressável. 
Se você votou neste blog, mesmo que uma vez só, MUITO OBRIGADO. Deus te abençoe bastante, querido. E, Deus, Tu me surpreendeste grandemente.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A VOZ DA DEPRESSÃO SOB A TEMPESTADE


Acordei num quarto sombrio, banhado de lágrimas
Lugar tão frio, pior que o vale das sombras
Desespero e arrepio perpassavam meu corpo gélido
Este, a saber, não era menos que meu universo trevoso

Acordado, porém, notei que era um sonho
Ou melhor, um quase-dormir, um estágio intermediário
Em que demônios tentavam assaltar-me a sanidade
E clamei a Deus, em pleno choque 

Andava eu por uma rua sem brilho, meus pés sobre barro
O cheiro da morte era intenso e pútrido, intoxicava
Minhas vestes rasgadas e sujas, eu quase um mulambo
Como posso ousar ser amado por tão grandioso Ser?

Penso o quanto poderias ter sido altamente depressivo
Pois razões tiveste, em meio a traíras e aproveitadores
Mas ouviste a voz do Pai sob a caudalosa tempestade
Assim também quero eu, Senhor, imitar-te

Acendo a luz do quarto e faço preces no chão cinzento
Oro em prantos, buscando alento, mais do que isso eu tento
Não ser danificado pelas minhas agruras e meus desvarios
Entontecido pela voz cavernosa e gutural desse mal, não mais