sábado, 31 de julho de 2010

MENOS UM DIA



Que triste é acordar com a sensação
De ter vivido menos um dia, e dia nenhum ter vivido
De ter deixado relegado ao passado
Aquilo que hoje poderia ser um presente

Como rasgarei as páginas mal escritas
De minha existência, um livro de memórias oscilantes?
Que revelam quadrantes vis e noutro, momentos dignos
Quero seguir em frente sem dívidas comigo mesmo

Preciso parar de ver esse reflexo distorcido
Nesse espelho embaçado que me esfrega meus desajustes
Onde guardei minha santidade, minha identidade?
Que vento levou meus anos de inocência?

Pelo meu rosto agora escorre essa maquiagem borrada
Da mentira, da boa aparência, sorrisos de bonecos plásticos
Exposta ferida nas madrugadas surdas à tua voz
Onde posso recuperar meu tempo perdido?

Desalojei-me da promessa e quase morri desabrigado
Enquanto gigantes pisoteavam minhas doces lembranças
Ah, Senhor, regressaria se pudesse aonde desperdicei
Vida, tempo e juventude, agora insanamente enterrados

Se ainda houver cheiro suave nas minhas palavras fracas
Ouça-me, te clamo, ó Poderosíssimo Paciente!
Que meus joelhos ralados já me deixam demente
E assinale com sangue a brevidade que em mim ainda pulsa

segunda-feira, 19 de julho de 2010

AS LÁGRIMAS


Lágrimas de solidão
Lágrimas de abandono
Lágrimas de erro
Lágrimas de desconsolo
Lágrimas, apenas

Lágrimas escorrendo
Lágrimas de veneno
Lágrimas de medo
Lágrimas entrecortadas
Lágrimas de desassossego

Lágrimas infantis
Lágrimas controladas
Lágrimas desabafadas
Lágrimas imperdoadas
Lágrimas incontidas

Lágrimas melodiosas
Lágrimas silenciosas
Lágrimas esganiçadas
Lágrimas clamorosas
Lágrimas esperançosas

Lágrimas, águas que fluem da alma
Alma, caixa vazia de fantasmas
Fantasmas de sofreguidão exorcisados
Exorcisados pelas lágrimas que banharam aquela cruz
Cruz, que marcou derrota das trevas pela luz!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

FERIDAS

Fui lançado diversas vezes ao chão
Como um cão desprezível me portei
Exibindo feridas abertas de desilusão
Não tinha amor, o mal encontrei

Neguei aquele sacrifício de amor
Aquela voz de águas calmas que dizia:
"Olha acima, ainda existe um motivo"
E então a voz se fez forte, fez trovão

Eu me angustio, me desespero
Se me distancio do teu perfeito esmero
Não quero o ontem, ele morreu no tempo
Eu quero é Deus, meu maior sustento

E se o anjo do inimigo me cercar
tentar pousar com suas garras sobre mim
O meu Senhor é quem vai batalhar
pra garantir o meu sucesso lá no fim

Agora chega dessa alma abatida!
Jesus, derrama vinho novo em minha vida!
Que eu me apaixone, que eu me abandone
em teus braços descanse e sonhe

segunda-feira, 21 de junho de 2010

TÚMULO



Um poema forte, com tons sombrios e uma pegada de melancolia. Sinta, através destas palavras, o lamento de alguém que rejeitou o bem mais precioso que pode existir. 


Assim que chegar o morrer
Eu quero vê-lo atravessando as paredes
Desse meu coração deserto
Qual destino é certo:
um túmulo reservado à solidão

Ah! Se outrora eu soubesse que eras o Cristo
Agora estaria vivo, e mais do que isto
Vida pulsaria em cada mover de minhas mãos
E seria capaz até de sonhar
De brincar, de plantar, de colher...

E tantos sorrisos enterrei, quando orgulhosamente
Guardei-me querendo ser são, não como os loucos tais
Que se rasgam em louvores a Ti, com aleluias
Quisera eu ter sido insano a tal ponto
Hoje estaria pronto pra morar contigo

Veio satanás visitar-me, levando rosas cinzentas
Cujas pétalas revelam cada ato vil e soberbo
E que o pobre de mim não conheceu limites
Agora clamo coberto de terra
Travando no inferno perdida guerra

Onde rangem os dentes e se pranteiam os maus
Onde arde o fogo e a carne dos perversos
Meu lugar, meu pós-morte, minha escolha
Para onde os anjos das densas trevas me levam
Pro tormento longe, Senhor, de Ti... Lamento!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SANTA MANHÃ


Este é um poema feito em junho de 2006 (quase 4 anos exatos); ele foi composto como oferta a Deus depois de eu ter recebido uma resposta a uma oração. Assim que acordei no dia seguinte à oração, cumpri ao Senhor o que prometera. Por isso ele tem esse título.


Viver em retidão, espinhoso caminho
Atrás de uma promessa azul-marinho
Dos altos céus vem o meu socorro
O sopro divino me empurra, me leva

Deus em Seu trono, Santa Providência!
Fidelidade que aos homens soa incrível
Mas eu, mesmo de carne, tenho consciência

Ó Senhor, Tu te derramas invencível

Aqui cumpro com prazer este tributo

Louvando feliz por tua resposta

Glória ao Rei! Glória ao amigo em tudo!

Só posso sentir tua mão imposta

E se eu cair, minhas asas não se quebrarão

Pois teu Espírito me dá sobrevivência

E pela fé conquisto a pré-paga salvação

Meu Cristo, obrigado por tua beneficência!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

EU PREFIRO ADORAR


Desgraças, lutas, perdas

Ainda assim, pelas pedras
caminhando sem rumo, sem norte ao certo
Eu prefiro adorar

Quando a tempestade vem
desabando sobre o telhado
caindo sobre meus ombros cansados
Eu prefiro adorar

Meu inimigo se ergue
em valentia e soberba
Deus, que é por mim até o fim
Ele é quem me sustenta

Eu prefiro adorar e cantar
Saber que alguém não desistiu
Até a última gota de sangue
entregou-se e me garantiu

Vida! Vida!
Eterna vida, conquistada a caro preço
Vida! Sofrida vida!
Mas Ele me deu um novo começo

Como poderei não adorar?
Eu prefiro a dor que ensina e me edifica
Eu prefiro me jogar em teus braços
Por tantas razões, Senhor...
Eu prefiro adorar

domingo, 23 de maio de 2010

FOLHA QUE CAI




Eu já não posso parar de chorar
Embora eu tente
As lágrimas tem vida própria,
E rolam pela minha face abatida

Sou uma brisa fria de inverno
Uma folha sem vida, caída
Fiz-me pecador voluntário dessa ilusão
Varra-me o vento se eu persistir

Morrer, se assim Deus me permitir
Pra quê? Por quê? Escape?
Covarde necessidade de me ausentar
dos sonhos, promessas e derrotas

Meus pés me levam aonde não há firmeza
E caio, afundo, a alma presa
Confiar em Deus é um salto de fé
Meu pobre coração molenga hesita

Sou um raio de sol às seis horas
Inócuo, fraco e sem calor
Deus guerreia minhas batalhas
E endireita minhas falhas

Ainda escorrem lágrimas arrependidas
Aperta o peito ao ver no espelho
Que chegou o outono em minha vida
Que Deus renove essa estação!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

COMPLETAMENTE PERDIDO


O menino chorou a noite inteira
As lembranças, as dores
Tudo que o machuca, que o assusta
Quanto custa?
Ele quer saber o preço do amor

E o coitado gira, gira, gira, não acha
algum pensamento que o satisfaça
que o faça ver luz e ouvir melodias
Mas sua vida está em trevas
Como as ervas, quão seco ele parece!

O menino chora sangue, enlouquece
O diabo maldito o enfraquece
Mas minhas orações irão alcançá-lo
Aguente, menino, o amor te salvará
Com Deus você está, Ele te consola

Está completamente perdido e cadavérico
Coração colérico! Deus te salvou
O prato é seco e a lágrima parou,
Amém, Senhor!