quinta-feira, 2 de abril de 2015

P.S.


Eu fiquei preso sem me mover
Até clamar ao Senhor
(No recôndito mais fundo da alma)
E sentir, então, que ainda há vida nas pernas
E meus lábios ainda poder-se-iam abrir
Um pesadelo frio sussurrava ao pé d´ouvido
Tragando minh´alma a cada segundo desesperador
Mas o Cristo ouve o mais silencioso clamor
Que me arrebata das garras do medo
Dos olhos que espreitam no submundo
Da presença vívida que atordoa
E do grito preso no pesado peito
outrora oprimido sem dó
Cuja dor já não mais há
E dorme em paz até o dia chegar




sábado, 28 de março de 2015

O CÉU DE ANTEONTEM



Sabe o que me enche de sede na vida?
Olhar as palmeiras que dançam
Com seus ramos apontando pro céu

As crianças que saboreiam cada segundo
De uma brincadeira inocente
E se ajuntam ao redor de uma fogueira

Sob o firmamento rajado de nuvens
E de um horizonte âmbar
Projetei um sonho:
Que todo dia seja como o céu que vi antes de ontem
Que passou baixinho, rasteiro, cativante
Como uma revoada selvagem

Sabe o que me enche de lágrimas na vida?
O pão do pobre molhado de suor
Do qual nasce um sorriso de vitória

Os músicos orquestrados que nos lançam
Em teias mágicas por horas
E nos deliciam com canções de redenção

Sobre a relva úmida de água da chuva
Cantarei a natureza e o esplendor
Que o Senhor dos meus caminhos me mostrou
Eis diante de todos os povos:
O alarido que cura o enfermo
E quebra muralhas de Jeri(-có-)rações

Eu me rendo!
Eu me rendo!
Eu me rendo!

sábado, 4 de janeiro de 2014

DA VARANDA



Hoje assistirei ao sol nascer
Da varanda da minha casa
Verei o orvalho se despedir
Das flores, das folhas, da grama

Serei testemunha do milagre matinal
Ansioso pela primeira brisa
Enquanto o galo canta no quintal
Do vizinho que perde o espetáculo

Na minha cadeira de balanço
Sorrindo pra vida que se abre
Antes que o caos se instaure
Verei raios de sol salpicando o céu

É que tem gente que não se toca
E deixa só o despertador tocar
Portanto, respeite essa minha troca
Que hoje não deixo de ver o sol chegar


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

TEMPO DE GUERRA -- pt.1


Violência gratuita
Bocas mudas
E outras tantas
Gritando
Gemendo

No chão frio
Escorre o sangue
Vertido pelos pulsos
De quem travou guerra
Sem vencer
Sem, porém, retroceder

Mãos armadas
Punhos cerrados
Dedos em riste
Apontando
Calando

É o anúncio do fim
A guerra prometida
O encontro dos séculos
O conflito feroz
Num cenário atroz

Olhos em chamas
Pés descalços
Cambaleando
Se desviando
Se entregando...

Mas algo desponta do oceano obscuro
Algo se arrisca a emergir
Do fundo do coração, sob a poeira dos dias árduos
Eis que vem, um guerreiro todo encouraçado

A batalha vai começar...

domingo, 23 de junho de 2013

O CANSAÇO DOS DIAS


A cada palpitação, uma esperança
Uma lágrima presa na pupila
E os ombros tesos, rígidos

Hoje não rimarei os versos
Que em si só, controversos,
Carregam o cansaço dos dias

No aguardo para o descanso
Debaixo das asas prometidas
Delineia-se meu sossego

Esta noite, tal qual um pequenino
Oro no silêncio, no escuro
Para que me arrebates a dor

Da arte de dar sem receber
E ainda assim, todas as manhãs
Não desistir de acreditar

Dependo de um Pai amoroso
E busco a cura do cansaço
Que se enrosca entre meus dedos

A Ti, ó Altíssimo, o que tenho!
Minhas palavras de alma partida
Que em teu véu anseia se cobrir... 

domingo, 2 de junho de 2013

NO DENTRO DE MIM


No dentro de mim
Remexe-se um sonhador
E chora um poeta
Um duro pranto

Olho para meu íntimo
Em minhas entranhas
Sensações tão amargas
Comichões estranhas

Presa está em mim
A dor abissal dos crentes
Os que já não pisam mais
A cabeça da serpente

Gemidos de uma alma
Bramidos de um coração
Flameja, almeja, volta a gemer
no cativeiro de José

Nesses tempos de um distante Jesus
De um esquecido alvo certo
No dentro de mim deserto
Transveste-se em anjo de luz

Choro lágrimas de gosto cruel
Velando esperanças que vagueiam
Família de certezas feridas
E um minuto de fé para voltar a dormir


segunda-feira, 8 de abril de 2013

SÉRIE "Poemas de circo": CARO SR. PALHAÇO




Sob aquelas vestes efusivas
De cores gritantes que atraem os olhos
Tão dócil e inocente criatura
Quem lhe poderá –de fato- recompensar?

Entre uma e outra pirueta
Entre piadas mais velhas que o mundo
Aquela é sua verdadeira missão
Dinheiro algum lhe poderá recompensar

Os risos e a satisfação do público
Engolem o furacão de pedras em sua alma
Aquela alma que não usa pancake
Aquele nariz que não cobre seus males

Caro Senhor Palhaço, alegre e desastrado
Homem de fé na própria existência
Essa luta todo dia a gente enfrenta
Mas fazendo troça dela, só para os fortes

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SÉRIE "Poemas de Circo": TRAPÉZIO




Jura que tudo vai dar certo?
Promete que poderei me soltar?
Pode me assegurar nessa dúvida?
Na hora da angústia, do medo...

Estarei firme em tuas mãos?
E se as minhas suarem?
E se eu fraquejar justo ali?
Na hora da angústia, do medo...

E a grandeza da derrota?
E a plateia, entre o escárnio e o choque?
E se eu me desviar da rota?
Um segundo frio e crucial

Sinto a espinha arrepiar, gélida
Arritmia, o palhaço já fez sua última graça
É agora? Tem mesmo que ser?
Que o Senhor tenha misericórdia!