terça-feira, 2 de abril de 2013

SÉRIE "Poemas de circo": MALABARISTAS



Aperta o passo aí, que eu quero ver
Arreda pra lá, afasta, sai!!
O espetáculo que vai começar:
Que benção, meu Deus, que lindeza!!
Coisa linda demais, nem sei
Nem sei, nem sei...
Olha como ele é habilidoso
Olha como faz os seus truques!
Olha, gente, olha!
Nem dá pra mim isso aí...
Quisera eu, outrora nessa vida,
Mas já sou malabarista
Dessas duras penas
Que nem se há de contar
Porque não valem a pena lembrar
Então eu fico aqui, nem pisco
Lá vão e lá vem os malabares
Vou chorar na minha estupidez
Me segura, mulher, me segura... E me abraça!

sexta-feira, 22 de março de 2013

ANGEL DE LA MUERTE (MEMENTO MORI)





Antes do último gole de orgulho
Antes que sorva mais um pingo de altivez
Detenha-te!
O preço não vale a pena
Lembra-te da tua condição
Lembra-te que haverá juízo
Nada foi/será em vão
Nada que podes agora entender, talvez
Mas não te embriagues, mais, amigo
Da inconsequência, do culto ao eu doente
Não conheces o que guarda teu amanhã
Lembra-te que és mortal
E o tempo não é amigo senão de si mesmo
Não serve a ti e a teus devaneios
O sangue pinga da cruz ainda
Ou da ampulheta que rege todos os mortais
Lembra-te que és um deles
Apenas guarda a recordação...

domingo, 2 de setembro de 2012

GLORIOSO TEMPO



Dos gemidos de minha alma
Ao tremor de meus lábios
Dos aplausos de minha alegria
Às lágrimas do meu arrependimento
Toda terra se encherá
Desse espantoso sentimento
A redenção que nos alcançará
Jamais igual se ouviu falar
Glória, glória, glória!
Este não é o início das dores
Há muito se ouvem rumores de guerras
Estejamos à espera, preparados
Estejamos limpos e conservados
Perseverados em fé, de pé, firmes
O tempo do cansaço se extinguirá
Cantemos pelo glorioso tempo
O tocar de trombetas se logo fará
Glória, glória, glória!
Cristo de todo fardo nos livrará
Meu coração grita tão alto
Minha carne gelada e fatigada
Ele trará o bálsamo, a redenção e a recompensa
Jesus! Jesus! Jesus!
Brada a mais louca das minhas convicções
Do alto de sua glória Ele virá
Do alto de seu trono descerá
O tempo da angústia dará lugar ao alívio
O tempo da fome dará lugar à fartura
Fome de vida, de amor, de conforto
Glória, glória, glória!
Um sem número de vezes glória!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

BAIXE O E-BOOK DO BLOG "MISSÃO POESIA"



É isso aí, gente!! Finalmente a coletânea com os poemas deste blog, incluindo alguns nunca publicados, estão disponíveis para download num e-book que leva o mesmo nome do blog. Segue link para você baixar: 

DOWNLOAD DO E-BOOK MISSÃO POESIA AQUI

quarta-feira, 14 de março de 2012

MELANCOLICARIUM




A música que acompanhou/inspirou a criação deste poema é "A minha oração", do cantor André Valadão. Recomenda-se ler o poema ouvindo a canção, para melhor envolvimento com a obra. Segue link de um vídeo no youtube onde André Valadão interpreta a referida música:  http://www.youtube.com/watch?v=Zn-wPjlj5vA 


(Dos tempos)

Assisto à tarde partir e a noite chegar
Timidamente surge a primeira estrela
Vivaz, brilhante, queimando
Assisto à estrela colorir o céu

Vagueio em bruscos pensares
Eu costumava usar uma aliança
E me cobria de finura invejável
Agora me calo sem nada louvável

Agruras de tempos memoráveis
Agora cercam-me com tamanha fúria
O mar que cerca esta ilha é ácido
E eu não sei nadar para fugir

Austeras visitas a cada manhã que nasce
De apertos e solavancos impetuosos
É tão bonito o maquinário mental
Mas sua cura está a milhas de distância

Assisto ao sol sorrir, com a alma seca
O tanque se renova enquanto há prantos
E o ciclo de esvaziá-lo e enchê-lo me sufoca
Jazem enterrados em mim antigos encantos

(Das alianças)

Canto músicas que queimam o espírito
E cortam-me feito navalha cega
Vejo escorrer pelo nariz uma coriza traumática
Mas a febre é melhor do que a frieza da alma

Eu costumava usar uma aliança
Disso lembro-me de já ter dito
É que ela era tão excessivamente cara
Perdi-a num bueiro qualquer das desventuras

Algumas rimas lidas deitadas pelo chão
Molhando no café um pedaço de pão magro
Penduradas no varal estão as velhas vestes
Manchadas, todavia, encontram-se eternamente

Queria expressar algum tipo de desabafo
Desses que se extrai da alma angustiada
Sei lá, talvez 10.000 lágrimas
Mas deixar vazio pra sempre o reservatório


Eu costumava caminhar com gente
E me dispus a tal estado animalesco
Em que os próprios bichos de mim tem pena
Voam, rastejam, ocultam-se longe de meus vexames

Um dia isso há de ser ricamente colorido?
Não o sei, temo pela resposta a tal pergunta
Receio ter sido esquecido, todo esse tempo sofrido
Por um sonho que nunca passou de uma canção

Mantenho-me espectador fiel do advento das trevas
A noite escorre pela minha pele e me envolve
Eu costumava usar uma aliança
E em algum lugar fértil ela espera por mim...